Introdução:
Há pratos que são muito mais do que uma receita — são um pedaço de história, um monumento gastronómico, uma declaração de identidade de uma cidade inteira. O Bacalhau à Gomes de Sá é exactamente isso: o prato que o Porto orgulhosamente considera seu, que carrega no nome a memória de quem o criou, e que ao longo de mais de 150 anos se tornou um dos mais emblemáticos e mais amados da cozinha portuguesa. Lascas generosas de bacalhau de boa qualidade, batata às rodelas cozidas na perfeição, cebola e alho refogados em azeite abundante, tudo reunido numa travessa de barro que vai ao forno até ganhar aquela cor dourada e aquele perfume irresistível — e depois finalizado com ovos cozidos em rodelas e azeitonas pretas que completam o quadro com uma beleza simples e honesta que é a marca da melhor cozinha portuguesa. É um prato que não tenta impressionar pela complexidade ou pela sofisticação técnica — impressiona pela qualidade dos ingredientes, pela generosidade das proporções e por aquele sabor profundo e reconfortante que só os pratos verdadeiramente clássicos conseguem ter.
No Norte de Portugal — e muito especialmente ao longo do Douro e em Trás-os-Montes, onde o bacalhau chegou durante séculos pelas mãos dos almocreves que percorriam as serras com as suas cargas preciosas — o Bacalhau à Gomes de Sá é muito mais do que uma receita regional: é um símbolo. É o prato que as famílias fazem quando querem celebrar, quando querem acolher com generosidade, quando querem pôr na mesa algo que é simultaneamente simples e extraordinário. Nesta receita que partilhamos, seguimos a versão mais tradicional e mais fiel à receita original — com todos os cuidados e todos os segredos que fazem a diferença entre um Bacalhau à Gomes de Sá simplesmente bom e um verdadeiramente memorável. Escolha um bacalhau de boa qualidade, um azeite virgem extra do Douro generoso e uma travessa de barro — e prepare-se para fazer um dos maiores clássicos da cozinha portuguesa.
Um pouco da história sobre a receita:
A história do Bacalhau à Gomes de Sá começa no Porto, na segunda metade do século XIX, e tem um protagonista com nome e apelido: José Luís Gomes de Sá Júnior. Filho de um comerciante de bacalhau que tinha armazém na Rua do Caldeireiros — uma das ruas mais animadas e mais comerciais do Porto da época — Gomes de Sá era ele próprio um apaixonado pela cozinha e um conhecedor profundo do ingrediente que era o negócio da família. A receita que criou e que leva o seu nome foi inicialmente pensada como uma forma de aproveitar o bacalhau que ficava nos armazéns após as vendas — uma técnica inteligente de criatividade culinária que transformou um aproveitamento comercial numa obra-prima gastronómica. Gomes de Sá partilhou a receita com Augusto Rodrigues Soares, cozinheiro do restaurante Lisbonense, que a popularizou e a tornou conhecida por toda a cidade.
A receita rapidamente saiu das fronteiras do Porto e se espalhou por todo o Norte de Portugal e depois por todo o país — porque a sua combinação de sabores e de técnicas era tão feliz e tão equilibrada que resistiu a todas as modas e a todas as tendências culinárias dos últimos 150 anos. Hoje, o Bacalhau à Gomes de Sá é reconhecido oficialmente como Património Gastronómico da cidade do Porto — uma distinção que confirma o que os portuenses e os nortenhos sempre souberam: que este prato é muito mais do que uma receita, é parte da identidade cultural de uma região. Em Trás-os-Montes e ao longo do Douro, onde o bacalhau foi sempre um alimento central na dieta das populações — acessível, nutritivo e de longa conservação — o Bacalhau à Gomes de Sá encontrou a sua segunda casa, e é hoje tão transmontano como qualquer outro prato da tradição regional. A receita que aqui partilhamos respeita os princípios originais de Gomes de Sá — especialmente o segredo que ele mesmo revelou e que poucos conhecem: escalar o bacalhau em leite antes de o usar.
Benefícios e curiosidades sobre esta receita tradicional:🥣✨
- 🥛 O segredo do leite — o truque de Gomes de Sá que quase ninguém conhece: Uma das curiosidades mais fascinantes do Bacalhau à Gomes de Sá original é que o seu criador recomendava especificamente que o bacalhau, depois de dessalgado, fosse escalado (cozido) em leite em vez de água. Esta técnica — que Gomes de Sá terá revelado ao cozinheiro do restaurante Lisbonense quando lhe partilhou a receita — tem uma base científica muito sólida: as proteínas do leite envolvem as proteínas do bacalhau durante a cozedura, criando uma barreira que retém mais humidade dentro das lascas e resulta numa textura final significativamente mais suculenta e mais macia do que o bacalhau cozido em água. Além disso, o leite suaviza qualquer excesso de sal residual do processo de dessalga e acrescenta uma subtil cremosidade ao sabor do peixe que não se detecta conscientemente mas que faz toda a diferença no resultado final. Experimente pelo menos uma vez — e nunca mais vai querer fazer Bacalhau à Gomes de Sá de outra forma.
- 🧴 O azeite em abundância — porque a generosidade é um ingrediente fundamental: O Bacalhau à Gomes de Sá não é um prato para quem quer poupar no azeite — é um prato que celebra o azeite como ingrediente principal e não como simples tempero. A quantidade de azeite usada no refogado e regada sobre o prato antes de ir ao forno pode parecer excessiva a quem não conhece a receita — mas é exactamente essa quantidade que cria o resultado correcto: o azeite penetra nas lascas de bacalhau, envolve as rodelas de batata e carameliza ligeiramente com o calor do forno, criando aquele brilho característico e aquele sabor rico e profundo que é a assinatura visual e gustativa do Bacalhau à Gomes de Sá perfeito. Use sempre um azeite virgem extra de boa qualidade — de preferência um azeite do Douro ou de Trás-os-Montes — porque é ele o ingrediente que mais se vai sentir no prato final.
- 🥚 Os ovos cozidos — o elemento que completa o prato e que não deve ser omitido: Os ovos cozidos em rodelas que finalizam o Bacalhau à Gomes de Sá não são apenas uma decoração — são um elemento de sabor, de textura e de nutrição que completa o prato de forma fundamental. A gema cozida, com a sua textura suave e o seu sabor rico e neutro, contrasta de forma muito agradável com o sabor intenso do bacalhau e com a acidez das azeitonas. A clara, mais firme e mais neutra, acrescenta uma textura diferente ao conjunto. Do ponto de vista nutricional, os ovos acrescentam proteína de alta qualidade, vitaminas do complexo B e gorduras saudáveis que tornam este prato ainda mais completo e nutritivo. Use sempre ovos de galinhas criadas ao ar livre — a gema mais alaranjada e mais rica melhora muito a apresentação e o sabor.
- 🏺 A travessa de barro — o utensílio que faz o prato ser o que é: O Bacalhau à Gomes de Sá deve ser preparado e servido numa travessa de barro — e esta não é apenas uma questão de tradição ou de estética. A argila do barro tem propriedades térmicas únicas: distribui o calor de forma muito mais uniforme do que o metal, retém o calor durante muito mais tempo após sair do forno (mantendo o prato quente na mesa durante toda a refeição), e cria um micro-ambiente de humidade durante a cozedura que resulta num bacalhau mais suculento e numa batata mais macia. Além disso, a travessa de barro apresenta o prato com uma autenticidade e uma beleza rústica que nenhum outro utensílio consegue replicar — é a forma mais honesta e mais correcta de servir um prato que nasceu da cozinha popular portuense do século XIX.
- 🐟 A qualidade do bacalhau — o ingrediente que define o sucesso ou o fracasso do prato: Num prato tão simples como o Bacalhau à Gomes de Sá — onde não há molhos elaborados, nem técnicas complexas, nem ingredientes exóticos que possam disfarçar qualquer deficiência — a qualidade do bacalhau é absolutamente determinante para o resultado final. Um bacalhau de boa qualidade (espesso, carnudo, de carne firme e de cor uniforme, pescado nas águas frias do Atlântico Norte ou da Islândia) vai resultar em lascas suculentas, saborosas e de textura perfeita que são o verdadeiro coração do prato. Um bacalhau de qualidade inferior vai resultar num prato aquoso, sem sabor e sem a textura característica. Não hesite em investir num bacalhau de qualidade superior para esta receita — a diferença é sempre perceptível e sempre justifica o investimento.
Ingredientes:
Para o Bacalhau à Gomes de Sá:
- 800 g de bacalhau salgado e seco de boa qualidade (lombos ou postas espessas — dessalgue durante 24 a 48 horas em água fria no frigorífico, trocando a água 3 a 4 vezes)
- 500 ml de leite gordo (para escaldar o bacalhau — o segredo de Gomes de Sá)
- 1 kg de batatas de tamanho médio (variedade Agria ou Monalisa — boa textura para cozer sem se desfazer)
- 3 cebolas grandes cortadas em meias-luas finas
- 4 dentes de alho laminados finamente
- 8 colheres de sopa de azeite virgem extra do Douro ou de Trás-os-Montes (generoso — é o tempero principal)
- 2 folhas de louro
- 5 ovos cozidos (para guarnecer — 4 ovos em rodelas e 1 partido em quartos para decorar)
- 150 g de azeitonas pretas (de preferência azeitonas do Douro ou de Trás-os-Montes, com caroço ou sem, ao gosto)
- Salsa fresca picada muito generosamente para finalizar
- Sal (com muito cuidado — o bacalhau já tem sal residual mesmo após a dessalga)
- Pimenta preta moída na hora, a gosto
Modo de preparo:
- Dessalgar o bacalhau — o processo começa 24 a 48 horas antes: Coloque as postas ou lombos de bacalhau numa taça grande coberta com água fria e leve ao frigorífico durante 24 a 48 horas (dependendo da espessura — postas finas: 24h; lombos espessos: 48h). Troque a água 3 a 4 vezes ao longo do processo. Para verificar se está suficientemente dessalgado, parta um pequeno pedaço e prove — deve estar saboroso mas não excessivamente salgado. Este passo é feito no frigorífico por razões de segurança alimentar.
- Escaldar o bacalhau em leite — o segredo do criador da receita: Depois de dessalgado, escorra o bacalhau da água. Coloque-o numa panela e cubra com o leite gordo. Leve ao lume e, assim que o leite começar a fumegar (antes de ferver completamente — cerca de 80°C a 85°C), reduza para o mínimo e deixe o bacalhau escaldar durante 10 a 12 minutos. O leite não deve ferver em fervura plena — a cozedura suave em leite quente é que cria a textura suculenta e macia característica. Retire o bacalhau do leite com uma escumadeira e deixe arrefecer ligeiramente. Retire toda a pele e todas as espinhas com cuidado e lasque a carne em pedaços generosos e irregulares — o Bacalhau à Gomes de Sá usa lascas grandes, não migalhas. Reserve o leite da cozedura — pode ser usado para humidificar o prato se necessário.
- Cozer as batatas na casca e cortar em rodelas: Lave bem as batatas e coza-as inteiras na casca em água com sal durante 20 a 25 minutos (dependendo do tamanho) até estarem completamente cozidas mas ainda firmes — devem resistir ligeiramente ao palito. Não coza demasiado — uma batata que se desintegra no prato perde toda a textura e toda a presença que é fundamental nesta receita. Escorra, deixe arrefecer ligeiramente e descasque. Corte em rodelas com cerca de 1 cm de espessura — não demasiado finas (que se desfazem) nem demasiado espessas (que ficam cruas no centro ao ir ao forno). Reserve.
- Refogar a cebola e o alho em azeite generoso: Pré-aqueça o forno a 200°C. Numa frigideira grande ou num tacho, aqueça metade do azeite em lume médio. Adicione a cebola em meias-luas, o alho laminado e as folhas de louro. Refogue em lume médio durante 15 a 20 minutos — até a cebola estar completamente macia, translúcida e começando a ficar dourada nas extremidades. A cebola bem refogada é o alicerce aromático do prato — não apresse este passo aumentando o lume. Quando estiver pronta, retire as folhas de louro e reserve.
- Montar o prato na travessa de barro e levar ao forno: Numa travessa de barro generosa (ou num tabuleiro de forno fundo), comece por distribuir uma camada de rodelas de batata no fundo. Por cima, distribua metade do refogado de cebola e alho. Distribua as lascas de bacalhau de forma uniforme por cima da cebola. Cubra com o restante refogado de cebola e distribua as restantes rodelas de batata por cima e à volta do bacalhau — intercalando batata e bacalhau para criar camadas. Regue generosamente com o restante azeite por cima de tudo. Leve ao forno pré-aquecido a 200°C durante 25 a 30 minutos — até a superfície estar levemente dourada e o azeite estar borbulhando nas extremidades da travessa. O prato não deve secar demasiado — se começar a ficar seco, regue com um pouco do leite da cozedura.
- Finalizar e servir com toda a tradição: Retire a travessa do forno. Distribua as rodelas de ovo cozido por cima de toda a superfície, intercaladas com as azeitonas pretas. Polvilhe muito generosamente com salsa fresca picada — a salsa é um dos elementos visuais e aromáticos mais importantes do prato e deve ser usada com a máxima generosidade. Regue com mais um fio de azeite virgem extra cru por cima de tudo (o azeite cru acrescenta frescura e brilho que o azeite que foi ao forno não tem). Sirva directamente na travessa de barro, à mesa, com pão rústico para absorver o azeite perfumado do fundo.
Dicas e variações: 💡🍴
- 🧅 Com pimento vermelho assado — a versão mais rica e mais colorida: Para uma versão com mais doçura e mais cor — e com um perfil de sabor ligeiramente diferente do clássico — adicione ao refogado de cebola e alho 2 pimentos vermelhos cortados em tiras, que foram previamente assados no forno (200°C durante 20 minutos) e pelados. Os pimentos assados acrescentam uma nota doce e levemente defumada que contrasta de forma muito harmoniosa com o sal do bacalhau e com o amargor das azeitonas. Além disso, acrescentam cor ao prato — os tons avermelhados do pimento assado criam um contraste visual muito bonito com o amarelo da batata, o branco do bacalhau e o verde da salsa. É a variação mais popular nos restaurantes nortenhos que querem oferecer algo um pouco diferente do clássico sem perder a sua essência.
- 🌶️ Com piri-piri e alho negro — a versão mais contemporânea e mais ousada: Para uma versão com mais intensidade e um perfil aromático mais sofisticado — que mantém a estrutura clássica do Gomes de Sá mas acrescenta camadas de sabor muito interessantes — adicione ao azeite do refogado meia colher de chá de piri-piri seco e 2 dentes de alho negro esmagados (o alho negro fermentado tem um sabor muito mais suave e mais complexo do que o alho cru — com notas de balsâmico e de melaço que são extraordinárias com o bacalhau). O piri-piri distribui um calor gradual e muito agradável, e o alho negro acrescenta uma profundidade de sabor umami que transforma o prato num Bacalhau à Gomes de Sá com uma personalidade muito marcante e muito contemporânea.
- 🌱 Com tapenade de azeitonas — a versão mais mediterrânica e mais intensa: Para quem ama azeitonas e quer um prato com mais intensidade de sabor nesse elemento, substitua as azeitonas inteiras por uma tapenade espessa (pasta de azeitonas pretas com azeite, alcaparras e anchovas) distribuída em colheres por cima do prato nos últimos 5 minutos de forno. A tapenade derrete ligeiramente com o calor e distribui o seu sabor intenso e complexo por toda a superfície do prato — cada garfada tem uma presença de azeitona muito mais marcante e muito mais rica do que com as azeitonas inteiras. Mantenha também algumas azeitonas inteiras para a decoração final — o contraste visual entre a tapenade distribuída e as azeitonas inteiras é muito apelativo.
- 🧀 Com queijo da Serra gratinado — a versão mais rica para os dias frios: Para uma versão mais indulgente e mais reconfortante — especialmente indicada para os meses de Outono e de Inverno quando a cozinha pede mais riqueza — distribua 80 g de queijo da Serra curado (ou queijo flamengo ralado para uma versão mais suave) por cima do prato nos últimos 8 a 10 minutos de forno, com o grill ligado. O queijo vai derreter e criar uma crosta dourada e levemente crocante que encerra todos os aromas dentro do prato e acrescenta uma riqueza extra muito agradável. O queijo da Serra é particularmente bom nesta versão — o seu sabor amanteigado e ligeiramente picante combina de forma extraordinária com o sal do bacalhau e o amargor das azeitonas. É a versão que mais impressiona nos jantares de família dos meses mais frios.
Informações úteis:ℹ️🥘
- 🕐 Tempo de preparo: 24 a 48 horas de dessalga (passiva) + 1 hora a 1 hora e 15 minutos de preparação e cozedura activa (20 minutos para refogar a cebola + 20 minutos para cozer batatas + 12 minutos para escaldar o bacalhau + 30 minutos de forno)
- 🍽️ Serve: 6 pessoas
- 👩🍳 Dificuldade: Fácil — a principal atenção é a qualidade do bacalhau e não cozer demasiado as batatas antes de ir ao forno; o resto é reunir e montar com cuidado
- 🧊 Conservação: O Bacalhau à Gomes de Sá conserva-se muito bem no frigorífico durante 2 a 3 dias num recipiente hermético. Rehidratar no forno a 170°C durante 10 a 15 minutos, tapado com papel de alumínio para não secar, regando com um fio de azeite. Melhora ainda ligeiramente de sabor no dia seguinte, quando os sabores se integram completamente.
- ☕ Harmonização: Um vinho branco mineral e fresco do Douro é a harmonização clássica e absolutamente infalível — a sua acidez e frescura equilibram a riqueza do azeite e complementam o sabor do bacalhau com elegância. Para os mais ousados, um tinto jovem e leve do Douro (servido ligeiramente fresco a 14°C) é uma harmonização menos convencional mas muito agradável. Um copo de vinho verde branco é também muito refrescante e muito feliz com este prato.
Valores Nutricionais:🥗📊
| Nutriente | Total da Receita | Por Pessoa (6 pessoas) |
|---|---|---|
| 🔥 Calorias | 3 660 kcal | 610 kcal |
| 🧈 Lipídios | 186 g | 31 g |
| 🌾 Hidratos de Carbono | 258 g | 43 g |
| 💪 Proteínas | 324 g | 54 g |
* Valores nutricionais aproximados (bacalhau + batata + azeite + ovos + cebola). Podem variar consoante o grau de dessalga do bacalhau e as quantidades exactas de azeite utilizadas.
Já fez ou provou esta receita? 😍
O Bacalhau à Gomes de Sá é um daqueles pratos que nos fazem sentir orgulhosos de ser portugueses — porque revela que a nossa cozinha sempre soube criar coisas extraordinárias com ingredientes simples, que as receitas mais antigas são muitas vezes as mais sábias, e que um bom azeite, um bom bacalhau e muito cuidado na preparação são tudo o que é preciso para fazer uma refeição verdadeiramente inesquecível. Já fez esta receita em casa? Usou o truque de escaldar o bacalhau em leite — e sentiu a diferença na textura? A travessa saiu do forno com aquele dourado perfeito? O azeite estava generoso o suficiente? Conte-nos tudo nos comentários — e se tem algum segredo especial da sua família para o Bacalhau à Gomes de Sá perfeito, partilhe connosco porque adoramos aprender e descobrir novas versões deste clássico eterno! 🐟✨🇵🇹
Perguntas frequentes sobre esta receita: ❓🍽️
O segredo de escaldar o bacalhau em leite em vez de água foi revelado pelo próprio Gomes de Sá quando partilhou a receita — e tem uma base científica muito sólida. As proteínas do leite (principalmente a caseína) envolvem as proteínas do bacalhau durante a cozedura a baixa temperatura, criando uma espécie de camada protectora que retém muito mais humidade dentro das lascas. O resultado é um bacalhau significativamente mais suculento, mais macio e com uma textura que se lasca em pedaços grandes e húmidos em vez de se desfazer em fibras secas. Além disso, o leite suaviza qualquer excesso de sal residual do processo de dessalga (pois a caseína do leite tem a propriedade de se ligar a iões de sódio), criando um bacalhau mais equilibrado em sal. A temperatura correcta é de 80°C a 85°C — o leite deve fumegar mas nunca ferver em fervura plena, pois o calor excessivo endurece as proteínas do bacalhau em vez de as suavizar. São dois dos mais emblemáticos pratos de bacalhau portugueses, mas com características completamente diferentes. O Bacalhau à Gomes de Sá (Porto) usa bacalhau em lascas grandes, batata às rodelas (cozida, não frita), cebola e alho refogados, e ovos cozidos em rodelas — tudo reunido numa travessa que vai ao forno. É um prato mais robusto, mais seco e com uma presença muito marcada do azeite. O Bacalhau à Brás (Lisboa) usa bacalhau mais desfiado, batata palha crocante (frita), cebola refogada e ovos mexidos cremosos — preparado na frigideira sem ir ao forno. É um prato mais cremoso, mais leve e com uma textura completamente diferente graças à batata palha e aos ovos mexidos. Ambos são extraordinários e representam o melhor da criatividade gastronómica portuguesa com o bacalhau — mas são experiências culinárias muito distintas em textura, em sabor e em preparação. Pode — e o Bacalhau à Gomes de Sá é um dos poucos pratos de bacalhau que se prepara melhor com antecedência, pois os sabores integram-se e melhoram com o tempo de repouso. Pode preparar todos os componentes no dia anterior (bacalhau dessalgado e lascado, batatas cozidas e cortadas, cebola refogada) e guardar no frigorífico separadamente. No dia de servir, monte a travessa e leve ao forno como indicado. Pode também preparar a travessa completamente montada e guardá-la no frigorífico durante até 24 horas antes de ir ao forno — nesse caso, retire 30 minutos antes de levar ao forno para atingir a temperatura ambiente, e adicione mais 5 a 10 minutos ao tempo de cozedura. O prato já preparado e levado ao forno conserva-se no frigorífico durante 2 a 3 dias — e muitos apreciadores afirmam que fica ainda melhor no dia seguinte. O Bacalhau à Gomes de Sá é um prato que usa azeite em quantidade generosa — e esta generosidade é intencional e fundamental para o resultado correcto. As 8 colheres de sopa indicadas na receita (mais o fio final de azeite cru) podem parecer muito, mas cumprem funções essenciais: o azeite do refogado perfuma a cebola e o alho e cria a base aromática do prato; o azeite que se rega sobre a travessa antes de ir ao forno penetra nas lascas de bacalhau e nas rodelas de batata durante a cozedura, criando aquele brilho e aquele sabor rico característicos; e o azeite cru no final acrescenta frescura e aquele aroma de fruto verde que é a assinatura de um bom azeite virgem extra. Um Bacalhau à Gomes de Sá sem azeite generoso fica seco, sem brilho e sem aquele sabor profundo que o define. Use sempre um azeite de muito boa qualidade — é o ingrediente mais importante depois do bacalhau. A escolha da variedade de batata é muito importante para o Bacalhau à Gomes de Sá — porque a batata precisa de manter a sua forma em rodelas inteiras durante toda a cozedura (tanto na água como no forno) sem se desfazer. As melhores variedades são as de polpa firme e de textura não-farinhosa: a Agria é excelente (polpa amarela, firme e de sabor muito agradável), a Monalisa e a Charlotte são igualmente boas. Evite variedades de textura farinhosa (como a Baraka ou a Desirée) — que tendem a desfazer-se durante a cozedura e que criam uma textura pastosa no prato final. As batatas devem ser cozidas al dente (ainda ligeiramente firmes ao palito) antes de ir ao forno — pois vão continuar a cozinhar durante os 30 minutos de forno. Se estiverem completamente moles ao sair da água, vão ficar em puré depois do forno. Pode — e é uma alternativa muito prática. O bacalhau já dessalgado e hidratado disponível em supermercados (fresco ou em embalagem refrigerada) é uma opção válida que poupa o processo de dessalga. No entanto, há algumas considerações: o bacalhau já dessalgado tende a ser mais húmido, pelo que deve ser bem seco com papel absorvente antes de usar; e como já está hidratado, o passo de escaldar em leite é ainda mais importante — ajuda a "firmar" a textura do bacalhau e a remover o excesso de humidade que poderia tornar o prato aguado. Além disso, o bacalhau já dessalgado do supermercado tem geralmente menos espessura e menos qualidade do que um bom bacalhau seco que dessalga em casa — e num prato tão simples como o Gomes de Sá, esta diferença de qualidade é muito perceptível. Sempre que possível, opte pelo bacalhau seco de qualidade e faça a dessalga em casa. Não é estritamente obrigatório — mas é muito recomendado por razões práticas e gastronómicas. A travessa de barro distribui o calor de forma mais uniforme, retém o calor muito mais tempo após sair do forno (mantendo o prato quente durante toda a refeição) e cria um micro-ambiente de humidade durante a cozedura que resulta num bacalhau mais suculento. Além disso, a tradição e a estética da travessa de barro na mesa fazem parte da experiência gastronómica do Gomes de Sá — é a forma mais honesta e mais bonita de servir este prato. Se não tiver travessa de barro, pode usar um tabuleiro de vidro temperado (Pyrex) — que também distribui o calor de forma razoável e permite ver os diferentes planos do prato durante a cozedura. Um tabuleiro de metal funciona mas distribui o calor de forma menos uniforme, o que pode resultar em zonas mais secas e zonas menos cozinhadas. Investir numa boa travessa de barro é uma compra que dura décadas e que melhora inúmeros pratos portugueses.Porque é que o bacalhau deve ser escalado em leite e não em água?
Qual é a diferença entre o Bacalhau à Gomes de Sá e o Bacalhau à Brás?
Posso preparar o Bacalhau à Gomes de Sá com antecedência?
Quanto azeite é necessário — porque parece muito?
Que tipo de batata é melhor para o Bacalhau à Gomes de Sá?
Posso usar bacalhau já dessalgado do supermercado?
É obrigatório usar uma travessa de barro ou posso usar outro recipiente?
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