O Post Scriptum Tinto 2024 é o "segundo capítulo" de uma das histórias mais prestigiadas do Douro. Nascido nas mesmas vinhas que dão origem ao icónico Chryseia — as lendárias Quinta de Roriz e Quinta da Perdiz — este tinto é o que poderíamos chamar de um posfácio generoso: herda o terroir, as castas nobres e o rigor enológico do seu irmão mais velho, mas apresenta-se com um perfil mais acessível e imediato, sem abdicar da complexidade. Com seis castas durienses de elite, 13 meses de estágio em barricas de carvalho francês de 400 litros e uma impressionante pontuação de 92 pontos da Revista de Vinhos, o Post Scriptum 2024 é a prova de que o Douro consegue produzir vinhos de classe mundial com uma relação qualidade-preço difícil de igualar. Exuberante, mineral e cheio de frutos pretos, é um tinto que se bebe hoje com prazer e se guarda amanhã com confiança.
O essencial em 20 segundos:
- Região: Douro, Portugal
- Tipo: Vinho Tinto Tranquilo
- Origem: Quinta de Roriz e Quinta da Perdiz
- Estilo: exuberante, cheio, mineral, com frutos pretos compactos e acidez fina
- Corpo: encorpado, com taninos maduros e bem integrados
- Graduação: 14%
- Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca, Tinta Roriz, Sousão, Tinto Cão
- Estágio: 13 meses em barricas de carvalho francês de 400 L
- Melhor com: carnes vermelhas, rosbife, carnes grelhadas e caça
- Quando abrir: quando quiser um Douro de pedigree internacional sem esperar uma década
A história por trás do rótulo:
O nome "Post Scriptum" não é acidental. Este vinho nasceu como um posfácio ao Chryseia, o grande tinto de mesa que resultou da parceria histórica entre a família Symington — proprietária da Quinta de Roriz desde 1889 — e a família Prats, de Bordéus, proprietária do lendário Château Cos d'Estournel. O Chryseia é a obra-prima; o Post Scriptum é a nota de rodapé brilhante que permite a mais pessoas acederem ao mesmo terroir excecional. As uvas provêm das mesmas vinhas — Quinta de Roriz, com os seus socalcos virados a sul sobre o rio Douro, e Quinta da Perdiz, no vale do Tua — mas são selecionadas para um perfil mais cedo e generoso. A vindima de 2024 decorreu entre 9 de setembro e 5 de outubro, com triagem manual em mesa de classificação seguida de uma segunda seleção mecânica bago a bago — um nível de rigor que poucos vinhos deste segmento de preço podem reivindicar. A fermentação a 25°C com leveduras selecionadas e uma maceração suave e ajustada garantem a extração ideal: suficiente para dar corpo e profundidade, contida o bastante para manter a elegância e a frescura.
Como se comporta no copo:
- Visual: centro granada profundo e denso, com uma borda vermelha aveludada e viva que denuncia juventude e concentração. Um vinho que pinta o copo com seriedade.
- Aroma: aromas de ameixas maduras e frutos pretos — amora, mirtilo, cassis — entrelaçados com notas resinosas intrigantes e um toque de esteva e violeta que remete para a Touriga Nacional. O carvalho francês surge em segundo plano, com baunilha subtil e especiarias doces, sem nunca dominar a fruta.
- Boca: exuberante e cheio desde o primeiro gole. Os frutos pretos são puros e compactos, com uma densidade que impressiona sem ser pesada. Os tons minerais — grafite, xisto molhado — e as especiarias conferem complexidade, enquanto a acidez fina mantém tudo em equilíbrio e dá ao vinho uma frescura inesperada para a sua concentração.
- Final: longo, persistente e harmonioso, com taninos maduros que acariciam o palato e um retrogosto de fruta negra e especiarias que perdura.
- Sensação geral: um Douro de grande pedigree que consegue ser simultaneamente poderoso e elegante — um feito que exige vinhas velhas, castas nobres e mão enológica experiente.
Para quem é:
- Para quem quer beber o terroir de Roriz e Perdiz sem pagar o preço do Chryseia — é a porta de entrada mais inteligente para um dos melhores endereços do Douro.
- Para quem procura um tinto duriense com corpo e concentração, mas que não exija uma década de cave para se revelar.
- Para quem valoriza consistência e reconhecimento internacional — com 92 pontos da Revista de Vinhos, 17,5 da Vinho Grandes Escolhas e um historial de medalhas no Decanter e no IWSC, este é um vinho com provas dadas ano após ano.
- Se procura um tinto ligeiro e frutado para beber fresco à beira da piscina, o Post Scriptum vai parecer-lhe demasiado sério — este é um vinho de mesa posta e conversa demorada.
Com o que eu harmonizava:
- Rosbife fatiado fino com molho de mostarda e raiz-forte
- Bife da vazia grelhado na brasa com sal grosso e alecrim
- Costeletas de borrego com crosta de ervas e batata a murro
- Veado estufado com cogumelos silvestres e vinho tinto
- Entrecôte com molho béarnaise e espargos grelhados
- Arroz de cabrito com hortelã e azeitonas
- Queijos curados — Serra da Estrela velho, São Jorge ou um bom Manchego
- Hambúrguer gourmet com bacon, queijo azul e cebola caramelizada
Ficha rápida:
- Marca: Post Scriptum
- Origem: Quinta de Roriz & Quinta da Perdiz (Prats & Symington)
- Colheita: 2024
- Tipo: Vinho Tinto Tranquilo
- Região: Douro, Portugal
- Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca, Tinta Roriz, Sousão, Tinto Cão
- Vindima: 9 de setembro a 5 de outubro de 2024
- Estágio: 13 meses em barricas de carvalho francês de 400 L
- Volume: 750 ml
- Álcool: 14%
- Alergénios: contém sulfitos
- Prémios: 92 pts Revista de Vinhos · 17,5 pts Vinho Grandes Escolhas
Veredito pessoal:
O Post Scriptum Tinto 2024 é a confirmação de que o projeto Prats & Symington continua a ser uma das referências absolutas do Douro moderno. Com seis castas nobres vindimadas à mão nas vinhas de Roriz e Perdiz, uma seleção bago a bago que poucos produtores se dão ao trabalho de fazer, e 13 meses de estágio em carvalho francês de 400 litros que conferem complexidade sem sufocar a fruta, este é um tinto que entrega muito mais do que o preço sugere. Os 92 pontos da Revista de Vinhos e os 17,5 da Vinho Grandes Escolhas não são inflação de pontuação — são o reflexo de um vinho exuberante, mineral e cheio, com frutos pretos compactos e uma acidez fina que lhe dá frescura e longevidade. É o tipo de tinto que abre bem agora, mas que vai ganhar camadas de complexidade nos próximos 5 a 8 anos se tiver a paciência de o guardar. Para quem quer um Douro de classe internacional sem precisar de vender um rim, o Post Scriptum é, ano após ano, uma das melhores escolhas que se podem fazer. O "posfácio" que vale tanto quanto a obra principal.
Perguntas frequentes sobre este vinho: ❓
O que significa o nome "Post Scriptum" e qual a relação com o Chryseia?
"Post Scriptum" significa literalmente "posfácio" ou "escrito depois". Este vinho foi criado como um segundo vinho do projeto Chryseia — a parceria entre as famílias Symington (Quinta de Roriz) e Prats (Château Cos d'Estournel, Bordéus). As uvas provêm das mesmas vinhas de Roriz e Perdiz, mas são selecionadas para um perfil mais acessível e imediato, permitindo a mais consumidores aceder ao terroir excecional destas quintas a um preço mais democrático.
Por que razão o vinho utiliza seis castas diferentes?
O blend de seis castas — Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca, Tinta Roriz, Sousão e Tinto Cão — é uma das grandes tradições do Douro e reflete a diversidade das vinhas de Roriz e Perdiz. Cada casta contribui com algo diferente: a Touriga Nacional traz aromas florais e estrutura, a Touriga Franca dá elegância, a Tinta Barroca confere corpo e doçura de fruta, a Tinta Roriz adiciona taninos e especiarias, o Sousão aporta cor e acidez, e o Tinto Cão contribui com finesse e longevidade. O resultado é um vinho mais complexo e equilibrado do que qualquer monocasta.
O que significa a seleção bago a bago e por que é importante?
Após a triagem manual em mesa de classificação, as uvas passam por uma segunda seleção mecânica bago a bago, que remove qualquer grainho imperfeito, verde ou danificado antes do esmagamento. Este nível de rigor é raro em vinhos deste segmento de preço e garante que apenas as uvas em perfeitas condições chegam à fermentação, resultando num vinho mais puro, limpo e sem sabores indesejados.
Qual a diferença entre barricas de 400 L e as barricas tradicionais de 225 L?
As barricas de 400 litros têm uma relação superfície de madeira/volume de vinho menor do que as barricas tradicionais de 225 L (barriques bordalesas). Isto significa que a influência do carvalho é mais subtil e gradual, permitindo que a fruta e o terroir se expressem com mais clareza. Para um vinho como o Post Scriptum, que se pretende exuberante e frutado mas com complexidade, a barrica de 400 L é a escolha ideal: dá estrutura e especiarias sem dominar o perfil aromático.
O Post Scriptum Tinto 2024 já pode ser bebido ou devo guardá-lo?
O produtor indica que o vinho está pronto a beber desde já, graças à maceração suave e ao perfil exuberante e acessível. No entanto, a sua estrutura, acidez fina e concentração de fruta conferem-lhe um excelente potencial de envelhecimento em garrafa. Pode guardá-lo com confiança durante 5 a 8 anos (ou mais em boas condições de cave), durante os quais ganhará complexidade terciária — notas de couro, tabaco, compota e trufa.
A que temperatura devo servir o Post Scriptum Tinto 2024?
Recomenda-se servir entre 16°C e 18°C. Uma temperatura demasiado alta (acima de 20°C) pode fazer o álcool sobressair e mascarar a finesse dos aromas; demasiado baixa pode fechar o vinho e esconder a sua exuberância frutada. Se necessário, coloque a garrafa 15 minutos no frigorífico antes de servir.
Devo decantar o Post Scriptum Tinto 2024?
Sim, é recomendável. Apesar de ser um vinho já acessível, a decantação durante 30 a 60 minutos antes de servir ajudará a abrir os aromas de fruta preta, especiarias e notas resinosas, e a suavizar ainda mais os taninos. Se a garrafa tiver alguns anos de cave, a decantação também ajudará a separar eventuais sedimentos.

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